segunda-feira, 20 de agosto de 2012

art. 1°, parágrafo único


será vetado
deixar de sentir.

mas tudo bem, meu amor, desistir.

domingo, 19 de agosto de 2012

eugoísmo

os meus quero no peito riscando saudades. Tenho um nó na garganta e invento as tardes para desenhar sorrisos. Mastigamos lembranças como balas de menta, enquanto  nos veem como móveis antigos. Meus amigos, já somos Daquela Época, em que amar era permitido. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

IV

"Eu era muito jovem, não tinha maturidade para me deprimir".

Conheci Julia no vão das palavras. Quis sê-la. Tão tardio nosso encontro, já não tínhamos tempo para explorar os entres dos sorrisos, toques e meias palavras. A desgraça nos beijava o corpo e as entranhas - e nisso éramos companheiras, companheiras a beber tristeza em longos goles. Nos reconhecemos e partimos, com o gozo de quem não mais espera,

com os bolsos cheios de fé.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

sou espera e dor
como o samba antigo

e parto
resta teu corpo
na minha saliva

parto
com o que fomos
naquele refrão 

parto
prenhe de amor
e despedidas. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

peste

Os cabelos eram armas do vento contra o rosto claro. franzi o cenho e inclinei o queixo como quem parte. não sou mais tua. sou da cidade podre, do inverno nos pés, dos lábios em peste. não sou mais tua. sou do açoite do vento, do guarda-chuva morto. não sou mais tua do olhar dissimulado ao sexo dos reais ensopados no bolso não sou mais tua /a boca queria/ não sou mais tua morno é ser em mim não sou mais tua amesquinho desejos não sou mais tua - toda essa chuva e não sou







mais.