domingo, 28 de novembro de 2010

O imponderável escapa por entre os vãos de meus dedos
inunda-me
faz o dia serenar.

sou terra encharcada de perspectivas e suposições vãs.

ora agarro-me às raízes
(prece tímida pelo porvir)

ora as arranco feito bicho vadio
(alheio às previsões)


.
.
.
quero ser no mundo por nele estar.





sábado, 27 de novembro de 2010

O dia se pôs em meu corpo
denunciando a ânsia pelo teu toque.
Atravessa-me com tua boca
risca-me as suposições
vem que minha escrita é urgência

Sussurro

(quero que me sintas como quem respira)

Sem ti
em mim
te procuro.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

o que há em mim,
suponho.

irmã das coisas fugidias

sabe quando o chá está no final, então se segura a xícara quase como se fizesse um pedido? pretensão nenhuma entre as mãos, nenhuma mesmo, tampouco sinceridade afetada. só permanecer ali, onde não se pode beber a longos goles, mas ainda é impossível abandonar o gosto?


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

pra dentro

Não era o mesmo verde e nem a mesma tarde, apesar de as folhas secas parecerem iguais àquelas que eu enxergava pelo vão do teu ombro quando respiravas fundo e o teu peito crescia e eu crescia com ele. Talvez o mesmo sol, que nos deixava com aquela vontade besta de dizer que é primavera, como se os ipês carregados de provocações e orvalho não antecipassem nossa intenção.
Acho que sabíamos. Por isso os silêncios, para deixar movimentar-se a engrenagem miúda daquela tarde: folhas secas, sentidos falidos, ficções suaves, solidão falada.
Teu peito arfante ditava o compasso. Recostada nele, descompassei-me.
Agora agarro este papel com os punhos fechados na tentativa de retomar o equilíbrio. Ah, que tolice.
A tarde é outra e eu, crescida em ti, em mim não estou.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

ainda

Te quero como se querem as coisas fugidias
amadas
porque não possuídas
e minhas
porque não as exijo

as mãos revolvem os cabelos
minha boca entreaberta denuncia tua ausência
(não penso)

a lembrança do toque
dá o compasso do tempo
que transborda
em meu corpo trêmulo.