terça-feira, 19 de agosto de 2008

agosto

Atraso. Aula. Chuva. Azulzinho. Choro para simular a chuva. Chuva que dissimula o choro.

R$ 2,25. Obrigada, seu moço. Bom trabalho aí. Poça. Sapatos de veludo vermelho agora carmim.
Chego ao meu destino. Será que realmente a algum lugar? (nada, por hora, está para além das partidas, por mais que cada chegada clichê insista no contrário).
Mentos para aliviar o atraso. Atraso para comprar o mentos. Boletas azuis adocicadas refrescantes na boca. Agora sim, deveria ser.

Com cabelos ensopados, saio cambaleante e mastigadora pelo prédio todo branco. Bem mundana, tropeço. Azulejos brancos lentamente se aproximam. Me equilibro, com o mentos quase no estômago. Um moço se aproxima, todo desdenhado, com um risinho daqueles que sacam.

Sim, dos que sabem dos dias da gente, dos mentos na garganta, dos sapatos agora carmim, do choro dissimulado pela chuva. Rapaz que, por um tropeço, me soube. Com o olhar complascente, lentamente se aproximou.

Baixo os olhos? Revido? Desdenho? Finjo?
Eu jogava os cabelos ensopados para longe dos meus olhos fugidios quando o vi sussurrar:

- Tá. Isso não aconteceu. Eu não passei por aqui. Você não tropeçou. A gente não se viu. Ok?

- Ok.

Disse eu.
e lá se ia a pessoa que mais tinha me visto, que mais me sabia no meio daqueles azulejos tão brancos. Por mais que eu nunca a tivesse encontrado. Nunquinha.