domingo, 25 de novembro de 2007

one mato péia.

Inventei uma onomatopéia. Saiu. Num tom bem exclamatório de um comentário espantoso que uma amiga fez dia desses. Quando respondi com aquele som estranho, ela se matou rindo e fez aquela cara de “hã-hã”.
Gostei.
Desde então, quando estou sozinha, fico repetindo minha onomatopéiazinha, bem assim, balbuciada, como se a boca pudesse ter outros ecos que a deixassem ainda mais bonita.

Sabe, onomatopéias não são facinhas. Tento mostrar a minha para os outros, mas ela não sai. Fica escondida, esperando o tom sarcástico certo, algum comentário que a cative.
Dia desses, saiu. Achei que precisaria de uns drinks, de umas duas três heinekens para deixá-la mais faceirinha, mas não. Foi na rua mesmo, enquanto caminhava comendo sorvete de limão.
Isso. Limão. Onomatopéias podem gostar de sorvete, ainda mais se for de limão. Talvez a companhia? O comentário nem foi tão tão assim... era digno, no máximo, de um Hmmmm esticado e daquele olhar de “tô sacando”. Mas não. Ali estava ela, toda arreganhada, provocando “hã-hãs” no mancebo que me acompanhava.

Onomatopéiazinha minha. Por que me deixa à mercê da sagacidade alheia?
Queria “hã-hãs” condescendentes pra mim mesma.



Balbuciar às vezes não é o suficiente.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Meninas dançam freneticamente cada suspiro
Saias giram em círculos concêntricos de pó e ar.
Riem na praça as cortesãs do futuro,
entre o sempre-nunca escondido nos vãos do concreto.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

careta

Andar sem óculos escuros na Santa Maria-do-sol-escaldante tem suas vantagens. Uma dela é poder encarar criancinhas felizes que cambaleiam pelas ruas.


Sabe aquelas, na margem dos três anos, balbuciantes, tentando se equilibrar em sapatinhos apertados? São minhas favoritas.

Quando as encontro, faço uma cara bem de desenho animado e fico na espera de alguma reação.


Algumas imitam minha cara de Mutley, algumas agarram forte a camisa já amassada da mãe e outras me desdenham, empinando seus ainda indefinidos narizotes.


Me divertia à beça(hoia) quando resolvi hoje encarar a menina loirinha que vinha no colo da mãe. Ela me olhou sem cerimônia, fez uma vistoria milimétrica no meu pescoço e quase agarrou meu colar de miçangas coloridas. Ri. Rimos.

Fico pensando, qual será a fase da vida em que a criança passa a te olhar de outra forma?
Seria tão mais feliz se as pessoas pudessem se encarar sem cerimônia, sem que um olhar prolongado fosse sinônimo de vontade sexual, mas sim de aflição para quase arrancar do pescoço um colar bonito de miçangas, ou botões, ou sorrisos. Ou qualquer outra coisa feliz.




o problema é sempre A outra coisa.

domingo, 18 de novembro de 2007

Será que algo existe se só existe na minha mente, digo, se penso algo mas fica pensado só pra mim? E então solto aquela gargalhada pra dentro como quem entendeu o que o outro disse e se sente feliz de ter um suspiro compartilhado, mesmo que o outro seja eu?


Real da solidão compartilhada pra dentro, quem sabe?
E agora, que já disse, é o teu real também?




Eu quero uma solidão só minha. Sozinha. Sonha.

domingo, 11 de novembro de 2007

O domingo arrastou os chinelos o dia todo pela casa, não me deixou abrir as cortinas e riu da minha sonolência fingida.


Queria só umas dez cerejas bem vermelhas, que me obrigassem a tragar o doce e rir enquanto lambo os dedos.


É isso aí, dizem. É isso que realmente vive enquanto você se deslumbra com poemas sujos, suspira pelos cotovelos e pensa que o mundo pulsa.



Nada que uma boa noite de sono não faça esquecer.

(e que chegue a segunda).

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Saldo

Dividi pipoca doce e lambi os dedos. Dormi sentada em uma poltrona bem macia, enquanto um francês aportuguesado dizia canções de ninar. Entendi porque todo mundo fala do capitão nascimento. Vi livros, livros, livros e comprei poucos. Doutores são menos do que seu currículo lattes. Currículo lattes é menos que uma boa conversa suspirosa. Chaleiras de vaquinha são legais. A sensação de estar em casa por estar com alguém é mais ainda. Quero aprender a fazer massa pan.Surfe dentro do ônibus distrai. Não adianta soprar em pessoas vazias, elas são feito balão, tu dá todo o teu ar e depois elas estouram assim, do nada, te deixando com a impressão de espaço desperdiçado. Haicais são divertidos. A Bienal devia estar linda. Academiquês acaba com a paciência do indivíduo. O que não se faz por um pedacinho de papel com um carimbo.

petit poá

Sabe, quando eu olhei aquela foto tive a sensação louca de que era ela que estava me olhando e que eu é que era a fotografia.




Dias poás e reencontros petit fazem desses ires-vires tão bacaninhas.


E ainda deu tempo de passar correndo pela feira do livro e comer algumas páginas com os olhos!

:)